
Concretar
Tem corpos pelo asfalto. O concreto pára. Escuta de longe: lá vem mais uns. Correm feito loucos, correm feito homens e mulheres. Vão pensando. Vão pensando durante 42 quilômetros, vão pensando por mais de horas. Todos os outros estão parados. Saíram de casa e ficam pairando nas calçadas, batem palmas, dizem que “falta pouco”, chamam de “campeão”. Aparecem outros em direção contrária, oferecem água, gritam coisas mais íntimas, falam “esquece a dor, ta quase lá”. Vários se alongam, se esticam no meio-fio, socam os músculos e seguem. É o quilômetro trinta e nove. Um corredor espera por todos os corredores da maratona. Tiozinho, gatas, velhinhos irados, rastas, gringos, profissionais de corrida e liberais, todos passam por um corredor polonês de gente. São incentivadores contratados para berrar, assoprar trombeta, buzinar, aplaudir, ser família e dar um pouco mais de gás para o restante. Tem corredor que rouba a bandeira do Brasil de um dos animadores, joga no chão, pega outra que ta mais bonita, pede desculpas e continua correndo. É o último alento. Vão todos sumir.
O concreto se arma, se abre, as luzes surgem, o frio aumenta. Uma boca enorme engole toda a maratona, vão rasgar as entranhas da cidade, ouvir seus berros ecoarem no túnel. É o deserto humanizado. Nada além de concreto e homens. Mas homens que passam, que vão ganhar a luz e chegar ao quilômetro quarenta. Falta pouco.
Tem corpos pelo asfalto. O concreto pára. Escuta de longe: lá vem mais uns. Correm feito loucos, correm feito homens e mulheres. Vão pensando. Vão pensando durante 42 quilômetros, vão pensando por mais de horas. Todos os outros estão parados. Saíram de casa e ficam pairando nas calçadas, batem palmas, dizem que “falta pouco”, chamam de “campeão”. Aparecem outros em direção contrária, oferecem água, gritam coisas mais íntimas, falam “esquece a dor, ta quase lá”. Vários se alongam, se esticam no meio-fio, socam os músculos e seguem. É o quilômetro trinta e nove. Um corredor espera por todos os corredores da maratona. Tiozinho, gatas, velhinhos irados, rastas, gringos, profissionais de corrida e liberais, todos passam por um corredor polonês de gente. São incentivadores contratados para berrar, assoprar trombeta, buzinar, aplaudir, ser família e dar um pouco mais de gás para o restante. Tem corredor que rouba a bandeira do Brasil de um dos animadores, joga no chão, pega outra que ta mais bonita, pede desculpas e continua correndo. É o último alento. Vão todos sumir.
O concreto se arma, se abre, as luzes surgem, o frio aumenta. Uma boca enorme engole toda a maratona, vão rasgar as entranhas da cidade, ouvir seus berros ecoarem no túnel. É o deserto humanizado. Nada além de concreto e homens. Mas homens que passam, que vão ganhar a luz e chegar ao quilômetro quarenta. Falta pouco.

Nenhum comentário:
Postar um comentário