Quer saber mesmo? Porque as pessoas morrem nas estradas malfeitas, morrem em acidentes aéreos cada vez mais assustadores e rotineiros? Quer saber porque tudo na politica demora, leva muito tempo de negociação, sofre a influência de diversas forças inescrupulosas? Quer saber onde nascem as milhares de faucatruas e roubalheiras que se instalam como um verme em cada projeto que envolve dinheiro público no Brasil?
Abaixo você pode conferir um estudo que fiz coletando reportagens e posts nos sites de notícias e principalmente no Blog do Noblat. Blog Jornalistico mantido com enorme competência por Ricardo Noblat, que além de torcer pelo Sport Club Recife, não cansa de antecipar a podridão que será notícia no dia ou semana seguinte.
http://www.blogdonoblat.com.br/A idéia inicial era fazer uma pesquisa sobre como a corrupção e o descaminho já estão aceitos e encravados em nossa sociedade, partindo da análise lingüística das reportagens que falam da "disputa" de cargos públicos, assunto tratado como moeda de troca ou "moderador de apetite" da base aliada do Governo.
Mas, sem querer, eu estava juntando as partes de uma imagem quase óbvia. A estrutura política no país está podre. Corroída em plena falência múltipla dos órgãos. Mas o limite foi atingido e haverá cada vez menos espaço para esse tipo de profissional da ladroagem. Não serão mais tolerados, serão xingados, vaiados, receberão chuvas de ovos e tomates. Seus seguranças e "correligionários" não serão mais suficientes para protegê-los durantes suas caminhadas eleitoreiras, suas inaugurações fradulentas e seus deboches à opinião pública.
Alí, 4 quikômetros da minha casa, na Av. Washinton Luiz jaz o ponto final. A mancha negra que finaliza uma frase, um tempo, uma ideologia. Foi através dos métodos mencionados nas reportagens abaixo que foram nomeadas as principais cadeiras da ANAC e Infraero. Sem falar nas outras milhares de empresas públicas ou mistas, como Petrobras, Eletrobras, Caixa Econômica, BB e por ai vai.
LISTA:
Blog do Noblat - 28/04/2007 - 10h47
BR Distribuidora é disputada por PT, PMDB e "técnicos"
PEDRO SOARES
da Folha de S.Paulo
Há nos bastidores do governo uma guerra aberta por causa do comando da BR Distribuidora. Três correntes distantes disputam a indicação para a presidência da estatal: PT, PMDB e um grupo do Planalto e da companhia que prefere um nome técnico para o cargo.
Segundo a Folha apurou, as duas têm trabalho para alçar o seu preferido ao cargo, temendo "loteamento político" da companhia.
Blog do Noblat - 30/04/2007 - 2h49m
Saudade de Tarso GenroDo Painel, na Folha de S.Paulo hoje:
"Inquietos com a demora nas nomeações do segundo escalão, deputados do PMDB falam com saudade de Tarso Genro. Alegam que o petista, hoje ministro da Justiça, "resolvia mais" do que Walfrido dos Mares Guia, seu sucessor, as pendências da coordenação política.
Já um petista graúdo acha que o problema de Mares Guia é outro. Como Lula andou negociando diretamente alguns cargos, os presidentes dos partidos aliados dão pouco valor às tratativas com o intermediário."
O Globo - 03/05/2007
"Mesmo com cinco ministérios, a cúpula do PMDB passou o dia ontem pressionando pela nomeação de cargos do segundo escalão, antes de divulgar seus integrantes na CPI do Apagão Aéreo, (...)
Com direito a indicar o principal cargo, o comando do PMDB cedeu à pressão de setores da bancada e esticou a corda até o último minuto, para sinalizar que poderia escolher deputados mais independentes e não tão afinados com o Planalto.
(...)
A ameaça se deu porque o Planalto resiste em acatar indicações do partido para presidência e diretorias de Furnas, Petrobras e Banco do Brasil. O ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, passou o dia tentando negociar e contornar a rebelião."
Folha de São Paulo - 03/05/2007
Da coluna Painel
"A indefinição na partilha de cargos do segundo escalão acendeu o sinal amarelo no PT, que vê na demora indício de que as "porteiras abertas" em ministérios de aliados podem ficar só no discurso presidencial.
Blog do Noblat - 03/05/2007
Mobilizados contra a rebelião do PMDBO presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), passarão o dia tentando conter insatisfação da bancada com a divisão de cargos de segundo escalão.
Há pouco, Temer saiu do Palácio do Planalto, onde conversou com Lula sobre o assunto. Agora, se reunirá com deputados do PMDB de Minas Gerais e do Rio de Janeiro para tentar conter a insatisfação.
O resultado dessas conversas será visto hoje na votação de dois temas importantes para o governo: o reajuste do salário mínimo para R$ 380 e o aumento do repasse do Fundo de Participação dos Municípios para as prefeituras.
O resultado dessas conversas será visto hoje na votação de dois temas importantes para o governo: o reajuste do salário mínimo para R$ 380 e o aumento do repasse do Fundo de Participação dos Municípios para as prefeituras.
Mensalão em Brasília é igual a cargosO delegado aposentado e deputado distrital Milton Barbosa (PSDB) revelou hoje em discurso no plenário da Câmara Distrital de Brasília como funciona a relação de apoio dos seus colegas com o governo de José Roberto Arruda (DEM), que tem enfrentado a rebeldia da maioria deles, insatisfeita com sua "pequena" participação no Governo do Distrito Federal (leia-se: cargos).
Barbosa afirmou que cada deputado tem direito a 30 cargos. "É uma régua de 30", disse o distrital ao microfone. Ele levou para o plenário uma placa de papelão com as seguintes inscrições: de um lado, "Procuram-se infiéis"; do outro, "Infiéis! Quem são?"
Foi uma resposta a declarações recentes de Arruda e de seus emissários sobre a disposição do governador de mandar fazer um pente fino para identificar os deputados infiéis ao governo. A imprensa local não registra, mas Arruda tem sofrido derrotas fragorosas na Câmara Legislativa.
A mais recente aconteceu na semana passada. Os distritais - com 15 votos favoráveis - revogaram uma lei que permitia ao governador fazer mudanças na estrutura administrativa do governo sem pedir autorização ao Legislativo. A chamada "Lei Delegada" foi aprovada durante o governo Roriz.
Barbosa afirmou também que existe um poder paralelo dentro do governo. Um seleto grupo de pessoas ligadas a Arruda é que indica a maioria dos cargos na estrutura administrativa - em secretarias e administrações regionais. Esse mesmo grupo ainda boicota o trabalho dos indicados pelos deputados distritais.
Enfim uma notícia sobre PagotO presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), determinou à diretoria-geral que investigue, imediatamente, a situação de Luiz Antonio Pagot, indicado para a diretoria-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit).
Renan quer ver respondido o requerimento de informações apresentado pelo PSDB na semana passada sobre a indicação de Pagot. Enquanto as respostas não são dadas, o nome fica parado.
Pagot foi funcionário do Senado até junho de 2002. Ao mesmo tempo, era acionista e diretor da Hermasa Navegação da Amazônia, informação que escondeu do Senado. A lei 8.112 de dezembro de 1990 proíbe que o servidor público participe da gerência ou administre sociedade privada.
Blog do Noblat - 21/05/2007
Da partilha de cargos públicos
em O Globo
o colunista Ilimar Franco:
"A executiva do PT se reuniu na quarta-feira à noite e fez uma avaliação do processo de preenchimento dos cargos federais. Concluiu que as nomeações estão se arrastando e que o PT está insatisfeito.
O presidente do partido, Ricardo Berzoini (SP), vai pedir uma audiência ao ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia. Vai dar o seguinte recado: o PT vai retirar seu apoio ao ministro caso se sinta prejudicado na partilha.
O controle do Grupo Hospitalar Conceição (RS) foi o estopim da revolta petista. É que a Democracia Socialista, que domina o diretório gaúcho, decidiu entregar o Conceição para o PCdoB. O grupo está nas mãos de um quadro da Articulação.
Questionado, Mares Guia disse que o assunto não tinha passado por ele. Na sexta-feira, um dirigente petista disse que tinham revertido a decisão junto ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Para a direção petista, Mares Guia não está no controle, mas sim o ministro da Justiça, Tarso Genro, que agiria pelas mãos da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff".
(Comentário meu (Noblat): Nove em cada dez indicações políticas para preenchimentos de cargos têm como objetivo fazer caixa para campanhas futuras. Ou você imagina que os partidos brigam tanto por cargos unicamente para dar emprego a quem não tem?
Da canetada de uma autoridade de qualquer escalão pode depender o andamento ou fechamento de um negócio, independente do seu porte. Mais tarde, o dono da caneta pode exigir retribuição do favorecido ou cobrar facilidades.
Então parte do dinheiro que saiu dos cofres públicos pingará no bolso dos administradores, partidos ou futuros candidatos, de forma legal ou ilegal - quase sempre ilegal. E assim a Lusitava continuará girando e o mundo também.
Quem arca com os custos de uma campanha política? Não são os candidatos, é lógico. Eles não têm tanto dinheiro. E os que têm quase sempre são avarentos. Suaram para fazer fortuna. Não querem dilapidá-la em aventuras eleitorais. Daí...
Daí que sobra para quem paga impostos - nós.
Ainda está para surgir neste país um governante corajoso o suficiente para contrariar a lógica do sistema. Se surgir, dificilmente governará com os políticos. Se tentar governar apelando direto para o povo, será acusado de aspirante a ditador.
Menos corrupção depende de mais desenvolvimento, menos desigualdade social e mais democracia. A corrupção jamais será eliminada em parte alguma. Mas ela poderá ocorrer de modo, digamos, mais civilizado como nos países de primeiro mundo.
É verdade que por lá também há aberrações. Ou não é uma aberração o vice do Bush, Dick Cheney, empenhar-se para que os Estados Unidos invadissem o Iraque e sair lucrando com a invasão? Uma empresa de Cheney ganha uma nota preta com a guerra.
E os barões do petróleo dos quais a família Bush sempre dependeu? A guerra é um maná para eles - e por tabela para os Bush.)
Se nunca na História deste país tanta gente foi presa por se meter em maracutaias, nunca também se admitiu com tamanha desfaçatez o loteamento de um governo. A maior base de apoio que um presidente jamais teve no Congresso deriva da expectativa com o preenchimento político de cargos técnicos em diversos escalões.
Tem por aí especialistas em navalhar orçamentos públicos saindo pelo ladrão. E outros querendo entrar.
Blog do Noblat - 22/05/2007
em O Globo
Chama a atenção da investigação o lobby do ex-deputado Humberto Michiles (PR-AM) para a aprovação e a liberação de emendas em favor da Gautama. Michiles é homem de confiança de Nascimento, que o indicou recentemente para o cargo de diretor financeiro do Dnit. Segundo um assessor, o nome de Michiles só não foi aprovado porque ele não tinha curso superior."
Isto É Dinheiro - 06/07/2007
Economia - 13/6/2007
O xadrez da aliançaOCTÁVIO COSTA O governo nomeia dois políticos no Banco do Brasil e na Caixa. É o começo de um loteamento das estatais que poderá custar caro ao País
Começou pelo Banco do Brasil o loteamento político da máquina do governo Lula. E foi um mau começo. Em contrapartida à participação do PMDB na coalizão oficial, o ex-governador e ex-senador por Goiás Maguito Vilela foi encaixado no banco estatal, no cargo de vice-presidente de Negócios com o Governo, criado especialmente para ele. Maguito ficara desempregado em novembro do ano passado, ao ser derrotado na eleição para governador de seu Estado por Alcides Rodrigues. A vaga que ocupará no BB terá a gestão de fundos constitucionais, que movimentam mais de R$ 100 bilhões por ano, (...)
Blog do Noblat - 21/06/2007
Renan ameaça contar podres de senadores
De Kennedy Alencar e Fernando Rodrigues na Folha de S. Paulo, hoje:
"Abandonado pelo Palácio do Planalto e por parte dos senadores aliados e oposicionistas com os quais ele mantém boa relação pessoal, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), jogou duro nos bastidores ontem. Ameaçou revelar fatos incômodos para colegas e paralisar a articulação política do governo.
A frase-síntese das ameaças de Renan é uma metáfora alusiva a personagens da Revolução Francesa (1789): "O Renan pode falar como o Danton quando caminhava para o cadafalso: atrás de mim virás tu, Robespierre". Essa declaração tem freqüentado o gabinete da presidência do Senado como linha-mestra da estratégia renanzista para tentar se salvar.
Blog do Noblat - 5/07/2007
Enviado por Ricardo Noblat -
1h18m
Loteada direção da Caixa EconômicaApós forte pressão de partidos aliados, o governo Lula formalizou ontem o loteamento político da Caixa Econômica Federal. Das seis vice-presidências do banco que receberam novos titulares, cinco foram divididas entre PMDB, PT e PDT, inclusive para indicados por políticos sob investigação. O técnico Carlos Antônio de Brito, que foi diretor do BRB no governo Joaquim Roriz (PMDB-DF), passa a ocupar a vice-presidência de Pessoa Jurídica.